domingo, junho 15, 2008

Prémios de Edição


Terá lugar este ano a primeira edição dos Prémios de Edição. A iniciativa é da responsabilidade dos Booktailors em parceria com Fundação Círculo de Leitores e a revista Ler e visa distinguir os profissionais da área de edição. A iniciativa pretende valorizar o trabalho de quem faz livros em Portugal, desde os editores aos designers passando pelos tradutores e revisores e até livreiros. Sem dúvida uma ideia louvável que irá chamar a atenção para quem dedica a vida aos livros, fazendo-os, promovendo-os, fazendo-os chegar até nós.

Para ficarem a saber mais sobre os Prémios de Edição visitem o site http://premiosdeedicao.blogs.sapo.pt/ e para estarem sempre a par das notícias relacionadas com o mundo editorial leiam o blog dos Booktailors.


sábado, maio 17, 2008


A edição n.º 9 da Revista Malagueta já está disponível no site http://revistamalagueta.com/. Neste número, a revista contou com a participação não só de autores brasileiros, mas também de portugueses, entre os quais me incluo. Para quem ainda não conhece esta publicação, a Revista Malagueta é uma revista literária brasileira on-line, onde poderão encontrar artigos, recensões, contos, crónicas, poemas... Além disso, estão prometidas novidades a partir deste número.
Mais uma vez, queria agradecer o simpático convite da editora Renata Miloni para participar neste número com um artigo sobre a ficção de Jacinto Lucas Pires.
Boas leituras.


quarta-feira, abril 23, 2008

Ler


A nova Ler já está nas bancas.

terça-feira, abril 22, 2008

Dia Mundial do Livro na Assírio & Alvim

A Assírio & Alvim vai comemorar o Dia Mundial do Livro oferecendo 50% de desconto em todos os livros do seu catálogo publicados há mais de dezoito meses. A promoção é válida apenas durante o dia de amanhã e só na livraria da editora, na Rua Passos Manuel n.º 67-B.

Manuel Alberto Valente na Porto Editora

Confirmando a notícia adiantada pelo blogtailors, Manuel Alberto Valente vai, de facto, passar a colaborar com a Porto Editora, onde irá ocupar o cargo de director editorial.
Mais detalhes na edição de hoje do Público.

sábado, abril 19, 2008

Manuel Alberto Valente e a Porto Editora

Depois da notícia de que Manuel Alberto Valente, editor da Asa, havia abandonado o grupo Leya, surge a notícia, via blogtailors, de que o editor estará em negociações com a Porto Editora.
Não deixem também de ler a entrevista que Manuel Alberto Valente deu ao Público, publicada na edição de ontem do jornal, sobre a sua saída do grupo Leya.

quinta-feira, abril 17, 2008

«O Homem sem Qualidades»

Notícia retirada do Diário Digital

Os dois primeiros volumes da primeira tradução portuguesa integral do romance de Robert Musil «O Homem sem Qualidades», um dos grandes clássicos do século XX, com mais de duas mil páginas, vão ser apresentados dia 28 de Abril, em Lisboa.

É também a primeira tradução feita directamente do alemão, por João Barrento, com a chancela da Dom Quixote, a editora que está a publicar a obra completa daquele romancista austríaco, falecido em 1942.

A apresentação dos livros decorrerá no Goethe Institut, onde dois actores profissionais irão ler alguns excertos do romance.(Nos anos setenta, saiu em Portugal uma tradução do mesmo romance, mas feita a partir da versão francesa e que não incluía o terceiro volume, publicado já depois da morte do escritor).

O «Homem sem Qualidades» - disse João Barrento à agência Lusa - «é um romance singular, que não tem muitos paralelos na história da literatura do seculo XX, e que mantém muita actualidade». A acção passa-se no início do seculo XX, antes da I Guerra Mundial, «numa época efervescente, em que havia também muitas novidades, científicas e outras, mas em que a sociedade era dominada por uma certa apatia e a política era ôca», precisou.

«O homem sem qualidades», que ocupou Musil durante os últimos quinze anos da sua vida, é hoje considerado uma das obras mais influentes da literatura moderna, ao lado de «Ulisses», de James Joyce, e de «À procura do tempo perdido», de Marcel Proust.Segundo o tradutor, o terceiro volume do romance deverá ser publicado no início de 2009.

«Foi uma das maiores e mais exigentes traduções que fiz», disse Joao Barrento, um dos mais prestigiados tradutores portugueses de alemao e que assinou, entre outras, a tradução de «Fausto» de Goethe.

Diário Digital / Lusa

segunda-feira, abril 14, 2008

As musas confusas de Patrícia Portela



Terceiro livro publicado de Patrícia Portela, Odília ou história das musas confusas do cérebro de Patrícia Portela esquiva-se a qualquer tentativa de arrumação em géneros. Talvez por isso seja tão difícil prever em que secção das livrarias o vamos encontrar.

O texto, acompanhado das ilustrações da própria autora, é exactamente o que encontramos representado nas primeiras imagens que antecedem a história de Odília – um novelo. Um novelo que se estende para fora do texto e que, assim, desafia a fronteira entre obra e livro, entre ideia e objecto.

Justamente pela sobreposição de imagem e palavra que abarca o objecto que serve de suporte físico à história destas musas confusas, parece que, mais do que uma simples história, estamos perante uma narrativa encenada, servindo a capa de cortina ao que iremos assistir. Aliás, facilmente associamos a própria linguagem de Patrícia Portela ao teatro, área a que a autora dedica o seu trabalho há já vários anos.

Texto e livro são, portanto, uma unidade que não é estanque, que não encontra limites nas margens da literatura, mas antes a invade, através da inclusão no processo criativo de estratégias que visam incorporar o exterior. Neste ponto não podem passar despercebidas as notas de autor, de tradutor e de editor que Patrícia Portela cria como parte integrante da narrativa. Do mesmo modo, não podemos esquecer as pretensas linhas de leitura pelas quais a autora guia o leitor e que mais não são do que formas de chamar a atenção para a maleabilidade do objecto escrito, das possibilidades que oferece e que extravasam a sequência ditada no momento da criação.

Odília é também um emaranhado de ideias, de apontamentos pessoais e sempre algo encriptados de que Patrícia Portela mistura os fios numa composição que oferece tanto quanto oculta, sendo o seu carácter lacónico um convite a uma interpretação única e pessoal.

Por outro lado, uma das marcas deste texto é sem dúvida o facto de ser uma narrativa em que tempo e espaço se esbatem (mais uma vez, também aqui se anulam fronteiras) e que claramente se compraz na volubilidade do passado e do presente, que ao invés de nos servirem de guias, reforçam o poder demiúrgico do narrador (que aqui se confunde intrinsecamente com a figura da autora, por ser tão evidente o carácter pessoal das páginas que lemos). As questões quotidianas do nosso tempo invadem a Grécia Antiga e a sua mitologia, ou será o contrário? Será que essa mitologia tem uma origem mas o seu poder metafórico não é datado? Será o seu uso meramente instrumental?

No meio de tal novelo (o sonho de Odília) a estabilidade reside na repetição que baliza a narrativa. Esta repetição textual poderia deitar por terra a ideia de infinitude, mas a circularidade da história e da memória garante que assim não seja. Nunca vemos o fim do novelo porque o seu fio, tal como a colcha de Penélope, deve ser enrolado e desmanchado ad aeternum, ele prolonga-se para além das páginas do livro.


Patrícia Portela, Odília ou a história das musas confusas do cérebro de Patrícia Portela, Editorial Caminho, 2007.

domingo, abril 06, 2008

Ler


Enquanto esperamos pelo regresso às bancas da revista Ler, previsto para o fim deste mês, podemos visitar a sua versão electrónica. O blogue da Ler, actualizado diariamente, está activo desde o final de Março e é dedicado, naturalmente, à literatura e às notícias do mundo editorial. Visitem-no em http://ler.blogs.sapo.pt/.

terça-feira, abril 01, 2008

Ruy Belo

Passados trinta anos sobre a morte de Ruy Belo, a Assírio & Alvim organizou para hoje, dia 1, uma sessão evocativa da vida e obra do poeta. Esta sessão terá lugar na Fnac do Chiado, pelas 18h30, e contará com a presença de José Tolentino Mendonça e Duarte Belo.


domingo, março 23, 2008

Bruaá Editora


Amanhã, dia 24, podem assistir ao lançamento de uma nova editora dedicada à literatura infanto-juvenil. O primeiro título a ser publicado pela Bruaá é A Árvore Generosa, da autoria de Shel Silverstein e já traduzido em trinta línguas, desde a sua primeira edição, em 1964. A apresentação da Bruaá e do livro A Árvore Generosa terá lugar na Sede da Liga para a Protecção da Natureza, pelas 18h30. Se quiserem ficar a conhecer melhor este projecto, podem também visitar o site http://www.bruaa.pt/ e o blogue http://bruaa-editora.blogspot.com/.


sexta-feira, março 21, 2008

Dia da Poesia

Para além dos eventos que se multiplicam um pouco por todo o país, não haverá certamente melhor forma de comemorar o Dia da Poesia do que ler poesia e, porque não, ouvi-la também. Deixo aqui o Black Rook on Rainy Weather, da Sylvia Plath, com o link para poderem ouvir a própria Sylvia Plath a declamar este poema.

Black Rook in Rainy Weather

On the stiff twig up there
Hunches a wet black rook
Arranging and rearranging its feathers in the rain.
I do not expect a miracle
Or an accident

To set the sight on fire
In my eye, nor seek
Any more in the desultory weather some design,
But let spotted leaves fall as they fall,
Without ceremony, or portent.

Although, I admit, I desire,
Occasionally, some backtalk
From the mute sky, I can't honestly complain:
A certain minor light may still
Lean incandescent

Out of kitchen table or chair
As if a celestial burning took
Possession of the most obtuse objects now and then –
Thus hallowing an interval
Otherwise inconsequent

By bestowing largesse, honor,
One might say love. At any rate, I now walk
Wary (for it could happen
Even in this dull, ruinous landscape); skeptical,
Yet politic; ignorant

Of whatever angel may choose to flare
Suddenly at my elbow. I only know that a rook
Ordering its black feathers can so shine
As to seize my senses, haul
My eyelids up, and grant

A brief respite from fear
Of total neutrality. With luck,
Trekking stubborn through this season
Of fatigue, I shall
Patch together a content

Of sorts. Miracles occur,
If you care to call those spasmodic
Tricks of radiance miracles. The wait's begun again,
The long wait for the angel,
For that rare, random descent.

Sylvia Plath


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A Gralha Negra em Tempo de Chuva

Lá no alto, num ramo firme
arqueia-se uma gralha negra toda molhada
arranjando e voltando a arranjar as penas à chuva.
Não espero qualquer milagre
nem nada

que venha lançar fogo à paisagem
no interior dos meus olhos, nem procuro
mais no tempo inconstante qualquer desígnio,
mas deixo as folhas manchadas cair conforme caem,
sem cerimónia ou maravilha.

Embora – admito-o – deseje
ocasionalmente alguma resposta
do céu mudo, não posso honestamente queixar-me:
uma certa luz pode ainda
surgir incandescente

da mesa da cozinha ou da cadeira
como se um fogo celestial tornasse
seu, de um instante para outro, os mais estranhos objectos,
assim consagrando um intervalo
de outro modo inconsequente

para nos dar grandeza e glória,
ou até amor. De qualquer modo, caminho agora
atenta (pois isso poderia acontecer
mesmo nesta paisagem triste e arruinada); descrente,
mas astuta, ignorante

de que um anjo se decida a resplandecer
repentinamente a meu lado. Apenas sei que uma gralha
ordenando as suas penas negras pode brilhar
de tal maneira que prenda a minha atenção, erga
as minhas pálpebras, e conceda

um breve repouso com medo
de uma neutralidade total. Com sorte,
viajando teimosamente por esta estação
de fadiga, acabarei
por juntar um conjunto

de coisas. Os milagres acontecem
se gostares de invocar aqueles espasmódicos
gestos de luminosos milagres. A espera recomeçou de novo,
A longa espera pelo anjo,
por essa rara, fortuita visita.

Poema retirado de Pela Água, Sylvia Plath (edição bilingue), tradução de Maria de Lourdes Guimarães, Assírio & Alvim.

Feira do Livro


Até ao próximo dia 2 de Abril, podem visitar a feira do livro manuseado da Assírio & Alvim, na Rua Passos Manuel.

quinta-feira, março 20, 2008

Livros de Seda


Respondendo ao comentário deixado pela Lu no último post, é verdade que o olho da letra tem andado desaparecido. Não é que tenha andado afastada dos livros, muito pelo contrário, tenho andado muito ocupada a revê-los. Espero que a partir de agora o blogue vá sendo actualizado com novas leituras. Ainda assim, a ausência tem uma justificação, e uma boa justificação.

Para os mais distraídos ou ocupados, aqui fica a notícia do nascimento de uma nova editora, a Livros de Seda. Esta editora "para mulheres. A primeira do género", como assina, vem preencher um espaço até agora vazio no nosso panorama editorial, dedicando-se à leitura no feminino. No entanto, não se deixem enganar, não pensem que aqui vão encontrar obras de e para mulheres encerradas num universo quase hermético. Pelo contrário, o que melhor poderá descrever a Livros de Seda é a multiplicidade de vozes, de escritas, de leituras. A multiplicidade é uma das características das mulheres, poderia uma editora a elas dedicada ser diferente?

Os primeiro quatro títulos da Livros de Seda já estão disponíveis nas livrarias e podem também visitar o site em http://www.livrosdeseda.pt/

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Duas sugestões para o Natal

Nesta época, vemos os escaparates das livrarias carregados por novidades editoriais a competir pela atenção daqueles que procuram nos livros a prenda ideal. A menos de uma semana do Natal, deixo apenas uma pequena nota para chamar a atenção para dois dos títulos que não devem passar despercebidos.


Titânia (edição especial), Mário Cesariny, ilustrações de Cruzeiro Seixas, Assírio & Alvim, 2007.

Um dos livros que não devem deixar de procurar nas livrarias é a edição especial de Titânia de Mário Cesariny. Passado um ano sobre a morte de uma das figuras maiores da nossa literatura, a Assírio & Alvim publica uma nova edição de Titânia, com ilustrações de Cruzeiro Seixas, também ele um dos nomes que fizeram o Surrealismo português. Embora no site da editora encontremos a informação de que o livro não está disponível, é possível encontrá-lo na Fnac e, talvez, noutras livrarias.



Orlando Furioso, Ludovico Ariosto, tradução de Margarida Periquito, com ilustrações de Gustavo Doré, Cavalo de Ferro, 2007.

O Olho da Letra não podia deixar passar despercebida a edição da primeira tradução (do original, nunca é de mais realçar) para português de Orlando Furioso, tarefa que ficou a cargo da tradutora Margarida Periquito. Finalmente, podemos ler o poema épico de Ludovico Ariosto na nossa língua e numa edição cuidada da Cavalo de Ferro, que conta ainda com ilustrações de Gustave Doré. Bebendo na tradição épica dos poemas homéricos, mas não deixando de reprentar o espírito de emulação característico da estética literária da época em que foi escrito (século XVI), o poema de Ariosto foi um dos modelos de Camões. Por isso, quem leu Os Lusíadas irá certamente encontrar novas pistas de leitura que enriquecerão a epopeia portuguesa.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Byblos


É hoje inaugurada a maior livraria do País, a Byblos. A partir de amanhã de manhã, a Byblos estará aberta ao público. Se quiserem ficar a saber mais sobre o ambicioso projecto de Américo Areal, não deixem de visitar o blogue dos Booktailors, em http://www.blogtailors.blogspot.com/, onde têm vindo a ser publicados vários posts sobre este conceito inovador de livraria.

Para assinalar o acontecimento, deixo aqui o artigo de Isabel Coutinho sobre a nova livraria, publicado na edição on-line do Público.

Grande aposta em catálogo de 150 mil títulos
Byblos, a maior e mais moderna livraria portuguesa é hoje inaugurada em Lisboa

A inauguração da maior livraria portuguesa, a Byblos, um sonho antigo de Américo Areal, ex-dono das Edições Asa, está marcada para esta noite só para convidados. A livraria abre ao público amanhã, às 10h.

É um espaço gigantesco - 3300 m2 distribuídos por dois andares - e aposta no fundo editorial. Vai ter entre 120 mil e 150 mil títulos. Além de livros, a Byblos vende revistas, CD, DVD, merchandising relacionado com o livro, gifts (canetas, luzes de leitura, etc.) e tem um game center (espaço com videojogos). Ao lado das novidades, estão livros, discos, jogos e filmes que saíram há mais de seis meses e hoje são difíceis de encontrar no mercado.

É uma livraria "inteligente": usa as novas tecnologias para dar conforto ao cliente, que pode começar a gerir a sua lista de compras a partir de casa (através do site www.byblos.pt). Cada cliente terá um cartão Byblos que pode ser carregado no multibanco para compras na livraria ou no site.

Quando o PÚBLICO visitou a Byblos as tecnologias ainda não estavam a funcionar. Mas a estante robotizada com 65 mil títulos (a pesquisa faz-se num computador) já estava instalada.

Os produtos à venda estão espalhados por prateleiras, mesas, vitrinas, gavetas como em qualquer livraria. O que é inovador na Byblos é o seu mobiliário integrar um software que ajuda na localização dos livros através de etiquetas RFID - Identificação por Radiofrequência. Cada livro terá uma etiqueta electrónica que está relacionada com outra que assinala determinado lugar na prateleira. Se o livro for colocado fora do seu sítio, o sistema central detecta o erro (as prateleiras têm antenas) e envia uma mensagem de e-mail para o computador do empregado responsável por essa área na livraria. Ele tem dez minutos para colocar o livro no lugar certo.

Por sua vez, os clientes podem fazer pesquisas nos 34 ecrãs tácteis espalhados pela livraria e ficar a saber a localização exacta dos produtos que procuram. Um papel com as referências da localização é impresso pela máquina. Informações com tops de vendas, promoções e agenda aparecem nos 54 ecrãs LCD da livraria. À saída, basta ao cliente pousar os livros na caixa de pagamento (numa pilha até 80 cm de altura) e o sistema lê o conjunto de compras (através da radiofrequência) sem ser necessário passar um a um.

A Byblos tem ainda um auditório para 137 pessoas sentadas, camarim e gabinete de primeiros socorros. Na cafetaria vão servir refeições ligeiras.

A livraria vai funcionar de segunda a sábado, das 10h às 23h e ao domingo das 10h às 13h. Tem acessos pela Rua Carlos Alberto Mota Pinto, n.º 17 e pela Rua Joshua Benoliel (Amoreiras). Uma das portas dá directamente para a zona das crianças, com um barco (tem sino, leme, velas) e uma árvore com uma casa de madeira. Ali é possível brincar com jogos interactivos criados pela YDreams. Outra entrada dá para o quiosque, 280m2 com jornais e revistas especializadas.

Quatro milhões de euros

"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria", lê-se numa das paredes, e a felicidade para o dono da livraria será quando "as pessoas pensarem em livro, pensarem na Byblos". Areal vendeu a sua empresa ao grupo de Paes do Amaral e investiu quatro milhões de euros neste projecto. Para o ano quer inaugurar uma Byblos no Porto e construir uma cadeia de livrarias no país. "Hoje o livro está disponível em gasolineiras, estações de CTT, hipermercados, tabacarias. Mas quanto mais próximo, menor é a oferta", explica. "Por isso surge a tendência oposta, a das cadeias de grandes livrarias." Em França, em 2004, faliram centenas de pequenas livrarias mas a megalivraria cresceu 5,6 por cento.

"Há um vastíssimo público que não encontra resposta para as suas necessidades. Quer dar aos seus filhos o que gostou de ler e não encontra. Em todo o lado há livrarias de fundo editorial. Não seria a altura de aparecer uma em Portugal?", afirma Areal. Para o livro estrangeiro, têm acordos internacionais e na edição portuguesa andam "à pesca" dos editores mais pequenos e da edição de autor. "Quem tiver um livro venha ter connosco porque o queremos ter disponível quer fisicamente quer na Internet", pede.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Lançamento: "O Rei na Barriga"


Terá lugar amanhã, dia 5, o lançamento do novo livro de Alexandre Parafita, O Rei na Barriga, dedicado à literatura de tradição oral. A apresentação da obra, editada pela Âmbar, decorrerá na Biblioteca Municipal de Gaia.

"Bilhete de Identidade"


Num país sem tradição memorialística, como é o caso português, no qual as memórias representam sobretudo a justificação de acções pretéritas, procurei apresentar a minha vida friamente. O facto de ter tentado registar tudo aquilo que vivi pode criar a ilusão de objectividade, mas é evidente que cada um cria a «sua» própria história e a da «sua» família.

O excerto, retirado da introdução à autobiografia de Maria Filomena Mónica, explica claramente o que se pode encontrar em Bilhete de Identidade – uma tentativa de que a objectividade presidisse à escrita destas memórias. Não obstante, a objectividade é aqui evocada não no sentido de filtrar o passado, mas no sentido de não retirar ou incluir episódios da vida por autocensura ou por outra qualquer razão. Todavia, e como se explicita na segunda parte do excerto, dificilmente poderá alguém rever a sua vida sem mácula de subjectividade. Maria Filomena Mónica não é excepção, como ela própria adverte o leitor ao afirmar que este não encontrará no seu livro a Verdade, mas apenas a sua verdade.

Ora, a falta de “tradição memorialística” a que alude a autora tem consequências também na forma como lemos um género não muito usual na nossa língua. Nos primeiros capítulos, foi comum não ver com bons olhos certas passagens, principalmente quando começaram a aparecer referências às “criadas” da família Mónica, termo que sempre me pareceu insultuoso. Depois, com a descrição da vida escolar, também senti que havia ali uma ponta de orgulho injustificada, já que a rebeldia à instituição não lhe seria perdoada se ela não proviesse de uma família como a sua. No entanto, trocando impressões com o amigo que simpaticamente me emprestou o livro, consegui aplacar a tentação de ver as memórias de outra pessoa apenas com os meus olhos. O conselho de enquadrar Maria Filomena Mónica no seu contexto foi seguido, o que me permitiu ler o livro com objectividade, definitivamente mais necessária do lado do leitor do que do lado do escritor, neste caso.

Muito embora não seja uma leitora assídua de biografias ou de autobiografias, julgo que a premissa de que partiu a autora de publicar o seu livro “sem medos, nem sentimentalismos” beneficia sobretudo o leitor. Ainda assim, e ironicamente, o tom excessivamente sentimentalista que marca as páginas em que Maria Filomena Mónica fala do seu casamento, principalmente no capítulo dedicado ao seu fim, prejudica o livro no seu todo por lhe quebrar o ritmo.

Não obstante, estas memórias ganham um novo fôlego com a ida de Maria Filomena Mónica para Inglaterra, até porque, a partir deste ponto, a vida da autora se vai cruzando de forma mais intensa com a vida política nacional. Com a Revolução de Abril, temos a possibilidade de ver esse cruzamento entre a vida pessoal da autora com a agitação social e política que marcou Portugal e, aqui sim, talvez pelo tempo já passado, é-nos dada uma visão desse período sem sentimentalismos.

Maria Filomena Mónica, Bilhete de Identidade: memórias 1943-1976, Alêtheia Editores, 2006.

domingo, dezembro 02, 2007

Livros na Gulbenkian


Até ao próximo dia 23 de Dezembro, decorre, na Fundação Calouste Gulbenkian, a terceira edição da "Festa dos Livros Gulbenkian". Para além de poderem adquirir a preços especiais os livros editados pela Fundação, podem ainda assistir ao lançamento da Fotobiografia de Amadeo de Souza-Cardoso e ao ciclo de conversas "O meu livro Gulbenkian", que contará com a presença de vários convidados.
Para mais informações, consultem o site da Fundação Calouste Gulenkian.

terça-feira, novembro 27, 2007

Fios invisíveis


O mais recente livro de Jacinto Lucas Pires, mais uma vez uma edição da editora Cotovia, é o resultado de uma estadia do autor na Ledig House International Writers Residency, em Nova Iorque, tendo sido esta a cidade escolhida para servir de cenário à história, ou histórias, de Perfeitos Milagres.

É, portanto, em Nova Iorque que vamos encontrar três núcleos de personagens que acabam por se cruzar. A primeira parte do livro, intitulada “Personagens” serve, justamente, para nos apresentar a Trick Watso, estrela pop mundial; Carlos Abroso, jornalista de um canal de televisão português; e o efémero O Grupo, composto por quatro actores: Violet, Jill, Grossman e Velasquez.

Trick está a tratar da orquídea na sala quando ouve o som. Dizem que há quem o confunda com o estrondo de uma porta, um barulho na televisão, um escape de automóvel, mas Trick Watso, a estrela planetária da pop, percebe logo que é um tiro.

Assim começa Perfeitos Milagres, pelo fim. O tiro de que fala o excerto é o tiro que Kim, mulher de Trick, dispara contra ela própria. A morte, aliás, é omnipresente no romance, embora não a narrativa não se centre nela. O tema ligado à morte recorrente no livro, é, pelo contrário, a reacção das personagens às mortes que as afectam, ou seja, as histórias acabam por se centrar nas diferentes formas encontradas para sobreviver perante a morte. Em Trick, a reacção à morte da mulher passa por se livrar de um Trick fabricado, ironicamente, fabricando uma outra identidade que lhe permita ser de novo anónimo. Além disso, a morte de Kim traz o fantasma de outra morte (de outro suicídio) que ele julgava enterrada na sua própria memória, a da mãe. É procurando compreender o que aconteceu quando ainda era Theodore, que Trick procura sobreviver a mais uma perda.

Uma outra morte assinala o fim da apresentação das personagens: o fim d’O Grupo. Constituído por quatro actores visionários, que pretendem descontextualizar o teatro tirá-lo do palco e levá-lo para o quotidiano das pessoas, O Grupo actua em entradas de hotéis, ou no meio de transeuntes na rua. No entanto, parecem falhar no principal: conseguir uma reacção das pessoas, conseguir provocá-las de modo a interromper-lhes o fluxo ininterrupto e sempre igual do correr dos dias.

Apesar de a acção se situar em Nova Iorque, o autor quis que houvesse um elemento português no seu romance e, assim, talvez se explique a personagem de Carlos Abroso. Todavia, a sua presença apenas me parece justificada na relação que mantém com outras personagens, não sendo, por si só, uma personagem interessante. Carlos parece antes uma sombra que se vai cruzando com as outras personagens.

Ainda no que diz respeito ao espaço do romance, decorrendo a acção na Nova Iorque pós-11 de Setembro, não é de surpreender que a actualidade irrompa com mais ou menos relevância na narrativa. Referências, normalmente bastante directas, à guerra, ao terrorismo, à paranóia ou a referência à situação dos suspeitos de terrorismo presos pelo governo americano são questões que também encontram aqui lugar.

Mais uma vez, os universos do cinema e do teatro, tão caros ao autor (como já tinha referido numa outra ocasião a propósito do seu livro de viagens Livro Usado), continuam a ser uma marca (bem presente) da escrita de Jacinto Lucas Pires. Nas descrições das personagens, que muitas vezes nos fazem lembrar indicações de um encenador ou realizador, ou na descrição de espaços (principalmente exteriores), em que parece estarmos a acompanhar os planos captados por uma câmara, torna-se bastante evidente que a componente visual é um dos ponto fortes de Perfeitos Milagres. Em relação ao teatro, essa presença é ainda mais evidente, como se verá, já perto do fim, em “Textos”.

Não obstante, o que mais me agradou neste romance foram sem dúvida os pormenores, as ligações que se vão fazendo entre as personagens e que não passam pela presença de umas perante as outras. São pequenas coisas (ou grandes) para se ir descobrindo durante a leitura. Mas estas ligações, este “bailado de fios invisíveis”, para usar uma expressão do livro que é também uma desses fios a descobrir, revelam, afinal, a mão criadora – uma das surpresas do livro a ser descoberta em “Autobiografia”.


Jacinto Lucas Pires, Perfeitos Milagres, Livros Cotovia, 2007.